quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Sobre lutar (carta a um amigo)

A vida leva-nos a percorrer caminhos estranhos. É uma gigantesca montanha-russa com uma particularidade: está sempre gente a entrar e a sair da carruagem. Alguns aguentam mais voltas, outros saem e voltam a entrar.
Eu, particularmente, não gosto de montanha-russa: tenho medo das alturas.

Uma das principais vantagens desta viagem são os companheiros de emoções. Às vezes, é com pena que vemos alguns partir e o seu lugar fica muitas vezes vazio por muito tempo. Há aqueles que vão até à bilheteira, compram o bilhete, querem entrar e depois não o fazem. Para alguns desses, a carruagem abranda por breves instantes para seguir logo o seu caminho. E depois, há os outros. Aqueles que vemos na paragem com o bilhete na mão a fazer sinal para pararmos. E nós, sem saber bem porquê, puxamos o travão, paramos a carruagem e estendemos a mão. Ali ficamos, imobilizados, de mão dada. Eu parei a minha carruagem. Já tinha prometido, a mim mesma, que só o faria por alguém que não me rasgasse os assentos ou me partisse a carruagem. Com um pé dentro e outro fora posso puxar-te para dentro.
Mas, vale a pena lutar por quem acha que a carruagem pode descarrilhar?


Eu acredito nas lutas a dois. Eu luto por ti e tu lutas por mim.
Não um contra o outro.
Entras ou não?

Nenhum comentário: